segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Exposição NÀU 2008




Exposição NÀU 2008

http://www.overmundo.com.br/agenda/nau

http://www.mapadasartes.com.br/listann.php?pid=9603

http://www.canalcontemporaneo.art.br/_v3/site/evento.php?idioma=br&id_evento=3698

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ode à Vênus, querida minha

Vênus me agraciou
com uma fome elevada e inata
de teu corpo envolto em roupas,
de tua'lma envolta em prata.

Teu corpo é para mim um copo
que parece tua'lma conter
Meu corpo é assim uma boca
que quer tua alma beber.

Minha'lma anseia por tua
com u'a fome divina e anciã
Minha'lma que a tudo devora
ante a tua só vê coisa vã.

És Vênus, minha Deusa faceira;
Na guerra ama, no amor é guerreira
Fruto tenro, suculento e macio
Da'ssim sagrada pitangueira.

Uma pequena caixa de delícias
Surpresa, desejos e malícias,
Que pretendo fartar em carícias
até suprir toda fome do mundo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sobre a saudade

A vida só vai e volta para aquele que para e pensa.
A vida não volta mas ele sim volta à vida
e vive a vida de novo em pensamento.
E a vida assim vivida, nos presta a nova experiência,
mais densa é a história de vida daquele que vive e reflete,
e o que não somos senão a história de vida mais uma potência de salto para a frente. O presente é uma condensação do passado com um leve cheiro de futuro.Refletindo vivemos o que passou em outro estado de espírito, mas não podemos alterar o passado mas o futuro e nosso próprio espírito. Talvez o que passou despercebido no calor da situação, refletindo, venha a se tornar boa adição. Mas a vida é muito incerta e a melhor atenção é sem dúvida a focada no presente.

sobre a perspectiva urbana

Parto de uma observação do nosso cootidiano para fazer uma análise sobre o que nos define enquanto seres humanos civilizados: somos essêncialmente urbanos. Procuro explicitar como é a perspectiva urbana contemporânea, sob a qual o homem de hoje vive e projeta o seu futuro. Minha obra não trata apenas da fruição estética ou mesmo conceitual, mas chama atenção à nossa responsabilidade enquanto co-criadores da cidade, do mundo em que vivemos.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Sobre a Verdade

A mim sempre pareceu difícil ter certeza sobre a veracidade de alguma coisa pela imprecisão do conhecimento humano face à infinidade de coisas que há para ser conhecidas.

Mas agora cheguei a uma proposição que parece adequada para explicar a fragilidade da teoria do conhecimento e foi lendo Zenão de Eléia que vim a pensar nisso.

Zenão mostra que certas afirmações são incompatíveis, mas quando as tomamos isoladamente, elas não parecem absurdas. O que proponho é que o conhecimento humano além de depender do conhecedor, depende mais ainda do mundo em que ocorre. O mundo é virtualmente infinito, e quanto maior a parcela dessa infinitude, mais difícil se torna fazer uma afirmação verdadeira.

Ora, o mundo parece infinito – mesmo que não o seja, não posso chegar a conhecer os seus limites, por isso disse virtualmente infinito – e o que existe atravessa muitas dimensões onde se dá a conhecer de diferentes maneiras.

Parece claro então porque os indianos chamavam o mundo de Maya, ilusão. Só pode ser um quebra-cabeças divino um problema intrincado como esse.

domingo, 19 de outubro de 2008

Ao final das horas (2006)

Horas demasiadas,
Olhos emaciados,
Mentes amaciadas.
Pois a vida é demasiado dura
Para quem leve como vento.
E a amarga dor não cura
O forte vício em novo alento.

O mundo m’espreme o peito
Agride, me pesa forte.
Duro, concreto, já feito
Em aberto, só a morte.
Que a luz, assim como facas,
Que o som me vem como bombas,
Se vão com o encher de taças,
Ao passar das horas longas.

Amortecendo da vida o impacto,
Bebendo, quebrando os copos.
Mudando bravata em ato,
Vivendo, matando os corpos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

...trecho do diário de um insone (2008)

Eu arrumo a cama e me sento; como se aguardasse algo, talvez alguém. O dia todo passou, e nessa hora tardia ainda espero um acontecimento, uma surpresa, uma visita. Espero uma revelação, algo que me de motivos para acordar amanhã; algo que dê significado a tudo que eu tenha passado hoje, às dezenas de vezes em que me esforcei, em que me neguei, em que eu precisei me superar e persistir.
Sento na beira da cama e espero. Nessas horas, a única coisa que me dá esperanças é um copo de vinho. Dois, dois copos. Dois copos me dão esperanças de poder esquecer de mim, de minhas perguntas não respondidas, minhas relações mal resolvidas, esse tédio colossal que me oprime como se o próprio planeta Saturno repousasse sobre meus ombros. Somente esses dois copos para aquecer meu peito, para amainar minhas idéias, para tornar meu leito um mínimo aconchegante que seja.
Mas assim mesmo o sono passa ao longe. Durmo tarde, acordo cedo, me canso de propósito e mesmo assim não tenho a dádiva do sono quando à noite me deito. De dia, eu durmo facilmente a qualquer hora em que me recolha. O melhor sono é depois de oito e antes de meio-dia. Depois do almoço, com muita simplicidade posso fazer a siesta e dormir até o início da noite. Mas a noite, quando se deve, eu não durmo. Nem por decreto. De dia tudo parece cansativo, moroso, obrigatório. De noite, não... a noite esconde, refresca, revigora, surpreende. A noite é bela, negra, arredia, estrelada, subversiva, assanhada. A noite me convida à loucura, e agora, à beira da cama, não consigo dormir.
Mas nessa noite não há convites à loucura a não ser da própria Eris, e não vou ser eu que vou me aventurar pelas ruas desertas, ou pelos ermos mais desertos ainda em busca de uma aventura ou distração. Não hoje. Hoje, nem as estrelas e seus encantos podem me demover do meu propósito nulo, de minha inclinação à nulidade. Como podem chamar de niilismo esse desejo de vazio? É de uma tremenda hipocrisia negar que o desejo de morrer, mesmo que velado, seja uma condição inerente à vida humana. Estar vivo cansa, dói, é angústia e necessidade e desejo e querências sem fim. É respirar, sentir, pensar, falar, digerir, agir, uma tal geração de atrito com tudo que há que me faz querer morrer todo dia antes de me levantar. Morrer e voltar para o sono de onde utilmente saíra. Ó sono uterino, eis o sagrado Graal que todos vêm procurando pelos séculos, amém.
Mas desejar morrer não é querer morrer, muito menos tentar morrer. Mas pouco ajuda a me levantar de manhã e não me traz bom sono à noite. Ter a morte como companheira só é bom para fazer a arte e escrever poesias, creio eu. É bom para quaisquer outras coisas para as quais o tormento interior seja uma benesse. Constante tormento interior. Tormento custoso, sim, mas tem suas dádivas. Todas as coisas eu sinto com maior intensidade do que as outras pessoas que eu tenho visto sentir. A promessa da morte exalta a presença da vida – mesmo a vida sendo muitas vezes mais dor do que alegria, é sempre felicidade, ante a possibilidade da morte. A única coisa que me da tranqüilidade na vida é a certeza de que, cedo ou – mais possivelmente – tarde eu vá morrer. Morrerei, sim, e sou muito grato por esse arranjo universal. É como um trato entre cavalheiros: vai e vive, não importa, você vai morrer no final mesmo. Pode arrumar as maiores confusões, se enredar nas mais impossíveis questões, pode cometer e realizar, que um dia a morte virá te libertar de tudo a que você amarrou. Sabe lá pra onde, eu só sei que vou encontrar a morte do mesmo jeito em que me confronto com a vida: lutando.

Nada se explica por si mesmo, isso não é niilismo, é a lei da causalidade necessária.

Outra poesia sem nome...

As vezes eu saio pelas ruas,
Quente, teso, arretado,
Sinceramente aperreado,
Bobo e perplexificado
Pelo caminho tomado
Por motivo ignorado
De destino ofuscado
Do sentido do meu viver.

E assim mormente,
Saio eu co’ os olho quente
Com o sangue fervente
Chutando tudo pela frente
Atitude coerente
Com aquilo que se sente
Todo aquele não dormente
Ser parido, ser vivente,

Assim te vejo derrepente
Num momento fulgurante
Inesquecível instante
Louco e inebriante
Tão estupidificante
Um feitiço estuporante
Como nunca vira antes
E teu olhar tão distante
É escarificante,
Um mistério fascinante
Principio diversificante
Do qual sou ignorante
Que de mim fez homem e de você uma mulher

Não me vês, ou finges, e eu sigo adiante.

Outros escritos de 2008, mais alegres esses....

Sinto tanto prazer em sentir,
que sentindo me sinto completo
parece que me ocupa a paisagem
uma vastidão interior.
(As vezes sentir me despedaça.)
As cores, o odor, a libido...
vivo encantado com a vista.
Também me observo de perto,
com o olhar de um paisagista.
Amante, esteta esclarecido,
sigo a erótica platônica,
que o sábio não sabia sustentar,
se esta ou a sua filosofia.
Que idéia aspiro apreender?
Do belo ou do verdadeiro?
Do belo, pois sei que existe.
A verdade, por força, não há.







Aqui sobre esta rocha,
avassalado por esse mesmo vento
por quem és cavada a eras.
Assim como tu sou rocha,
sou moldado
pelo vento soprado,
pelas eras chovido.

Sou feito de ti e somos um,
erodidos pelas eras,
talhados pela força dos tempos,
pelo ímpeto dos elementos,
afagados pelo Sol,
lambidos pela Lua,
embriagados com o elite das estrelas.
Sabemos que nos e ela somos todos
uma mesma matéria.

Montanhas ancestrais,
pilares do céu,
raízes do chão,
alma da terra
vomitada fluida,
tornada sólida,
trabalhada pelas estações.
Somos teus filhos e te honramos:
com sua constância te trilhamos.

Alguns escritos invernais de 2008 ainda sem nome...

Hoje eu experimentei a preocupação, o temor pela minha própria vida. Não o temor por uma morte rápida e aventureira, com a vida dependendo do meu corpo e dos meus instintos – desse temor eu sou afeito.Também não falo do temor vago, quase filosófico, de que para morrer basta estar vivo, em qualquer instante-situação.
Experimentei a preocupação de realmente estar atrelado a um feixe de acontecimentos em que circunstâncias e vontades atuam em direção à consecução da minha ruína, desonra, miséria e loucura.
Hoje eu me senti assim e por momentos apenas a fuga absoluta me fazia sentido. O suicídio é mesmo a mais importante questão filosófica e eu não a desejaria à ninguém enquanto estava sofrendo; mas agora que a superei, desejo isso a você.






Tantas coisas me foram oferecidas,
outras tantas outras achei prometidas,
mas a noite já se finda
e ca’stou, procurando o sono,
sob uma marquise na chuva.
Não amaldiçôo nem o clima, nem a vida,
pois lições há para serem aprendidas
em todas as esquinas do mundo
e triste faina humana –
dificilmente se encontram
lições prazerosas
no instante em que as recebemos.







É nessa dificuldade,
nessa carestia,
que eu vejo exaltada a vida.
O calor é tão valioso
quanto o frio que faz lá fora.
O vinho tão agradável,
quanto dolorosa a sobriedade.
A solidão tão calorosa,
quanto a pobreza da companhia.
Tua presença tão exaltada,
quanto a falta que faz à minha.
A morte só é indesejada
àquele que temeu a vida,
que viver é coisa que cansa
e morrer – confesso – reanima.








Sentado na escuridão, meus olhos pousados no nada, observando languidamente aquela massa amorfa que chamamos mata à noite. Quando cruzou de súbito, um facho de luz aleatório com uma pequetita mariposa de asas translúcidas. Pelo instante que cruzou o mundo do visível, essa mariposa atraiu meu olhar sequioso, e nesse pequeno espaço de tempo, meus olhos foram famintos e gulosos, deliciados em ter o que ver, não, em ter para que olhar. Fruí de um prazer simples e foi como se minha visão curasse uma angústia, saciasse um desejo-necessidade.
Eu sempre pensei em mim como esteta, mas nunca tinha reparado no prazer de olhar e ver.






Uma nuvem de chumbo turva minha mente,
Uma sombra escura deprime minha visão.
Uma incessante linha de pensamentos negros
como um tortuoso cortejo fúnebre,
onde o morto vem andando,
atrelado ao final.
E este morto, é claro, sou eu
(não como um todo,
mas aquele mesmo eu que está pensando).

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

série - Retratos Intimos




Resposta ao Sapo

Retratos Intimos - 2008




Apesar de... (querida Clarisse)





Amigos Íntimos






Autoretrato 1 e 2

terça-feira, 2 de setembro de 2008